domingo, 5 de julho de 2009

“Se queremos a recuperação, temos de ser pacientes…”

Olivier Blanchard é conselheiro económico e Director do Departamento de Investigação Financeira do Fundo Monetário Internacional, exímio investigador das ciencias económicas - lembrar que é o autor da bibliografia obrigatória que recomendamos aos nossos alunos na disciplina de Macroeconomia- esteve ontem (25 junho) em entrevista na Euronews e traz a sua opinião sobre como lidar com a crise económica e financeira global! Boa leitura!

Euronews: Há sinais que indicam que a crise já bateu no fundo e que se antevê uma recuperação sustentada. Se é verdade, quando e a que ritmo se efectuará?



Blanchard: Darei uma resposta em três partes. A primeira: penso que evitámos o pior, o que são excelentes notícias. O segundo ponto: os indicadores económicos para o último trimestre de 2008 e primeiro de 2009 são extremamente maus. Não vamos voltar a ver nada assim. Mas vamos, provavelmente, assistir, nos países desenvolvidos, a um crescimento negativo no segundo trimestre deste ano, e também, talvez, no terceiro. Depois, chegará o crescimento positivo, apesar de muito próximo de zero. É provável que o crescimento seja mais elevado no próximo ano… Em terceiro lugar, e este é o ponto mais importante, vamos ter de nos concentrar na recuperação. Para já, não creio que vá ser forte, pensamos que poderemos atingir uma estabilidade dentro de três a cinco anos. Vai demorar muito tempo…



Euronews: Os mercados financeiros continuam a temer que os gastos dos governos aliados às injecções de capital por parte dos bancos centrais, em especial nos Estados Unidos, estejam a promover a disseminação da inflação a minar qualquer tentativa de o mercado dar a volta. Partilha estes receios?



Blanchard: No que toca aos bancos centrais, foi aumentado, de forma significativa, o seu portfolio, em parte porque adquiriram bens que os investidores privados rejeitaram.Mas creio que à medida que a recuperação se manifesta, os investidores privados vão querer comprar aos bancos centrais esses bens e estes vão querer vender. Por isso, não me preocupa a inflação. Acredito que o sector fiscal oferece mais razões para que nos preocupemos. Nesta matéria, os governos vão enfrentar sérias dificuldades. O que os governos não podem deixar de fazer é oferecer estímulos fiscais. A procura do sector privado, nesta fase, ainda é muito fraca. Se os incentivos acabarem, provavelmente a procura no mercado vai desacelerar e o processo de recuperação económica será interrompido. Por isso, e pelo menos durante este ano, têm de se manter os incentivos fiscais, provavelmente no próximo ano também e, talvez, no ano a seguir.



Euronews: Um problema particularmente difícil na Europa é o desemprego. Normalmente este indicador retrai assim que aparecem os primeiros sinais de recuperação. Como interpreta o actual momento? Existe o risco de a Europa vir a enfrentar uma elevada taxa de desemprego…



Blanchard: Está absolutamente correcto. A minha resposta tem duas partes. É verdade que quando o crescimento se torna positivo, esse simples facto não chega para pressionar uma redução do desemprego. O crescimento tem de ser superior ao normal para que isso se verifique. O que poderá acontecer no final de 2010 ou por volta desse período. Até lá, o desemprego vai aumentar. Na Europa, e tendo em conta o melhor dos cenários, o desemprego vai aumentar, provavelmente durante mais um ano ou ano e meio. A questão que se segue é quando vai descer. Duas coisas têm de acontecer: a procura tem de ser suficiente e o mercado laboral tem de saber responder a essa procura…



Euronews: Um desemprego elevado fere o consumo e as perspectivas de crescimento. Por isso muitos governos desenvolveram planos para estimular o mercado. Qual a sua leitura da situação actual? São necessárias políticas fiscais e monetárias mais apertadas ou chegou a altura de aligeirar?



Blanchard: Esta não é altura para se retirar nenhum estímulo fiscal ou para aumentar as taxas de juro. A economia está muito fragilizada e a procura privada muito fraca. Se se pensar nos consumidores, eles não estão dispostos a gastar. Se olhar para as empresas, elas não estão dispostas a investir. Por isso, se os incentivos forem retirados, basicamente a recuperação fica suspensa. Para já, é absolutamente necessário manter a política monetária e fiscal seguida no último ano.



Euronews: O elevado preço do crude é um risco para a recuperação económica, o que até pode provocar uma inflação excessivamente elevada associada a muitos baixos níveis de produtividade. Agora que o preço do crude aumentou que risco enfrentamos?



Blanchard: O aumento do preço complica o processo de recuperação, sim, funciona como um travão, mas não receio que vá suspender a recuperação. O aumento do preço do crude, creio, não é justificado pela conjuntura… Perante casos como este, espera-se um ajustamento. Não creio que o preço do crude atinja os 70 dólares. Se se mantiver a esse nível, penso que será um bom preço, consistente com o ritmo da recuperação.



Euronews: A regulação criada para os mercados financeiros não vai domá-los na totalidade, mas certamente vai torná-los mais transparentes, responsáveis e estáveis. No entanto, existe uma aparente discórdia entre o G20 e o G8 sobre a pressão dessa regulação. O que podemos esperar quando a tranquilidade voltar a reinar?



Blanchard: Não sabemos. Não só porque não sabemos de forma exacta que tipo de regulação necessitamos, mas porque também não sabemos que tipo de sistema financeiro vamos ter. Por outro lado, esse sistema vai depender, em parte, do tipo de regulação a que for sujeito. Ou seja, neste caso, não podemos apenas regulamentar uma parte do sistema. Temos de olhar para o todo e ter em conta os riscos no seu conjunto e analizar o comportamento dos actores num ambiente não regulamentado. Este é um dos princípios. Não tenho ilusões. Qualquer que seja a regulação vai-nos escapar sempre qualquer coisa. Só espero nque nada com a magnitude do que acabámos de ver.



Euronews: Uma última questão. Muito mudou para o Fundo Monetário Internacional durante a crise económica. A cimeira do G20 prometeu triplicar a capacidade de o fundo dar empréstimos e o fundo prepara-se para emitir títulos de obrigações pela primeira vez. No cômputo geral, o FMI está a munir-se de recursos sem precedentes. Face a esse “rearmamento”, como vê a sua influência e papel no futuro?



Blanchard: Penso que o FMI vai ter um papel muito importante se conseguir analizar os riscos num todo e não apenas os de natureza financeira, que é o caso desta crise. Basicamente, o fundo tem de estar sempre atento, já que está posicionado de forma única para interpretar o mundo. isto porque nós recebemos uma quantidade enorme de informação a que mais ninguém tem acesso. Teremos, no fundo, de estar disponíveis para emprestar quando necessário, é esse o nosso papel. Se formos bem sucedidos seremos muito importantes, e não apenas em momentos de crise, onde já provámos ser importantes, mas nos próximos dez, vinte ou trinta anos. Esse é o nosso objectivo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

AVALIAÇAO PARCELAR

ALUNOS DA LICENCIATURA EM ECONOMIA
Primeira Prova parcelar
Dia 26-06-2009
Sala 37
18:00 hs

Enfoque: Toda matéria leccionada, inclusive a Aplicação dos conceitos microeconomicos as Politicas Públicas

terça-feira, 16 de junho de 2009



  • Volto num momento especial, quando já vamos a caminho do segundo mês de um semestre lectivo que recentemente começou, trago uma palavra especial aos estudantes da disciplina Fundamentos de Economia, mas especificamente aos estudantes de Licenciatura em Economia.
  • Lembra-los de que acabam de abraçar um ramo muito apaixonante e abrangente das ciências humanas, e que como Ciência, a Economia estuda as relações entre os indivíduos na sociedade, especificamente as relações de mercado – relações quase sempre muito complexas. Para tal os economistas precisam estar munidos de um profundo conhecimento histórico, teórico, quantitativo, metodológico e um conhecimento das questões institucionais.
  • O estudo da Ciência económica vai permitir uma compreensão maior do universo em que vivemos, além de acompanhar as mudanças que vão acontecendo na sociedade e propor novas explicações e possíveis soluções para as grandes questões da economia: o que produzir, quanto e para quem produzir, o estudo da economia vai permitir também dar explicações para problemas correntes como por exemplo as razões e as possíveis soluções da actual crise do sistema financeiro mundial.
  • Ao longo do curso virão outras cadeiras, como a micro e a macroeconomia, a estatística e a econometria, a história do pensamento económico etc, cadeiras que permitirão aos estudantes um background quantitativo para elaboração e análises de estudos de viabilidade e de modelos económicos e financeiros, afinar as habilidades da investigação científica voltada a resolução de problemas da sociedade, não descartando o amplo conhecimento no campo da cultura geral que permitirá o entendimento das questões económico-sociais em contextos históricos específicos.
  • No contacto com as novas disciplinas cada estudante tenderá a identificar-se mais com as áreas específicas da macro ou micro economia, mas, de um modo geral o que se espera é que todos possam, com o curso, munir-se de raciocínio logicamente consciente e da capacidade de ler o presente à luz do passado e com objectivos futuros.
  • Nosso desejo é o de todos nossos alunos tornarem-se, brilhantes economistas, no entanto, temos de admitir que alguns ficarão a meio do curso, outros chegarão ao pódio em segundo ou terceiro lugar…
  • Mas, apesar de todas as dificuldades incentivo-os a não desistir: o primeiro passo foi dado –Vocês começaram a estudar Economia! – o que por si só ja vos faz vitoriosos à partida. É preciso resistir, amadurecer até que de vocês se possa espremer todo sumo possível e precioso.
  • Outra grande inquietação dos estudantes é: e depois do curso? - Depois do curso - ao economista jamais se fecharão as possibilidades de emprego, porque o economista independentemente do que se vier a especializar – é um profissional com horizonte quantitativo, histórico e teórico - qualquer área de conhecimento nalgum momento de seu processo exige a presença de um economista, ou seja, qualquer sector, pode ser o lugar do economista.
  • E NÓS OS futuros GESTORES BANCÁRIOS? A resposta está nas entrelinhas: o conhecimento básico das questões económicas, do comportamento dos agentes económicos munir-vos-á do arsenal necessário para desvendar os mistérios subjacentes aos fenómenos que norteiam o funcionamento do mercado – bancário.
  • Caros alunos, Bem-vindos ao MUNDO FANTÁSTICO DAS ECONOMIAS, bem-vindos a Universidade que aposta em formar economistas que farão diferença! Bem-vindos a UniMetro!
  • Muitos outros diálogos virão, mas hoje termino parafraseando o pensamento do célebre Lord Keynes:
    “o economista deve ser matemático, historiador, estadista, filósofo (...) deve entender os símbolos e falar com palavras. Deve contemplar o particular nos termos do genérico, e tocar o abstracto e o concreto na mesma revoada do pensamento, deve estudar o presente à luz do passado com objectivos futuros. Nenhuma parte da natureza humana ou das instituições deve ficar completamente fora do alcance de sua visão. Ele deve ser decidido e desinteressado com a mesma disposição; tão distante e incorruptível quanto um artista, e ainda assim algumas vezes tão perto da terra quanto um político”

    Nota:
    =>As aulas da próxima Quarta-Feira (17) e Sexta-Feira(19) serão totalmente dedicadas a revisão da prova marcada para o dia 22/06/09
    =>Notas de Aula podem ser adquiridas junto aos delegados de turma, e brevemente na pagina oficial da cadeira no website da universidade
    www.unimetroangola.com

sábado, 15 de novembro de 2008

Monetaristas X Keynesianos



Dois motivos me incentivaram a escrever o presente artigo: primeiro, o aniversário da morte de um dos expoentes da teoria Económica, Milton Friedman (1922-2006) e o segundo, a actual, e altamente comentada crise económica mundial, que de alguma forma nos leva a um olhar atento a duas escolas de pensamento, que há mais de 50 anos desfrutam o predomínio da ciência económica: de um lado a Escola Keynesiana e do outro a Monetarista, estes últimos, conhecidos também como liberais, dos quais Friedman foi ferrenho defensor, considerado mesmo o Pai do Liberalismo.
Ao longo das décadas as duas escolas têm dividido a opinião tanto de economistas quanto do pensamento económico; adeptos de Keynes afirmam e defendem as virtudes do Estado-providência, ou seja: as leis de mercado sozinhas são incapazes de levar a economia ao equilíbrio, é preciso uma maior participação do Estado na economia. Por outro lado, os adeptos de Friedman (Escola de Chicago) têm vindo a fazer valer a sua visão liberal sob as várias perspectivas económicas.
Friedman, que se não tivesse morrido há dois anos, estaria hoje com 96 anos e vivenciaria esta, que já começa a ser classificada como a maior crise já vivida pelo capitalismo. De lembrar, ele – um opositor ferrenho do Keynesianismo - desafiou todas as teorias dominantes a respeito das causas da Grande Depressão, afirmando que foi o excesso e não a falta de intervenção governamental a responsável pela crise de 1929.
Após a crise da Bolsa de Nova Yorque (1929) as propostas dos liberais foram rejeitadas em todos os países do mundo. No bloco socialista seguia-se com sucesso o Planeamento Económico Estatal, enquanto no bloco capitalista os liberais eram substituídos pelos keynesianos. Porem, o revisionismo na ex. URSS, e a crise do bloco capitalista provocada maciçamente pela crise do petróleo - 1974, traz novamente ao cenário as ideias monetaristas (neoliberais). O auge da influência monetarista acontece na década de 1990, com o Consenso de Washington, quando os governantes de vários países se comprometeram com as propostas neoliberais segundo as quais a regulação era desnecessária, desnecessários também são os mecanismos de controlo e transparência do sistema financeiro internacional; indo mais além, o Consenso de Washington defendeu o princípio de que os Banco Centrais não precisavam manter uma política de fiscalização e acompanhamento sistémico da economia, afirmando que esta auto regula-se pelos derivativos.
Em uma entrevista concedida em 2003 e conduzida pelo economista Francês Henri Lepage, Friedman declarou que as condições para a prosperidade estavam garantidas: o desemprego estava baixo, o monstro da inflação domado, não havia crise financeira e não havia deflação, a produtividade estava a crescer e os bancos estavam em boa forma, e - apesar de discordar com as ferramentas discricionárias usadas pelo Federal Reserv (Banco Central Americano) - Friedman louvou a política monetária de Alan Greenspan, e acreditava que as políticas de injecção monetária eram capazes de trazer enorme prosperidade.
Uma análise do cenário actual coloca em descrédito o Consenso de Washington, e de modo geral a sustentabilidade das ideias monetáristas. Assistimos ao oposto: as regras de prudência bancária, ausência de politicas publicas para assegurar o controle, a falta de limites de alavancagem estão na base do crash ora vivido. E é exactamente o Estado que aparece no cenário para minimizar a crise. Em tese, estamos diante de um retorno ao pensamento de Keynes, que aclama o papel do Estado como regulador da actividade económica.
Importa salientar que, apesar das evidências do momento tenderem para o paradigma Keynesiano, não se pretende neste artigo, tirar o mérito da escola de Friedman. No campo das ciências sociais, as teorias são criadas para entender e resolver problemas específicos, com o passar do tempo demandam mudanças passíveis a dar resposta a novos problemas que surgem, como diz Hicks (citado por Meller p.81) "não pode haver uma teoria económica que explique tudo e a todo tempo”. Assim, o pensamento económico está mais uma vez diante do cenário favorável ao debate acirrado entre Keynesianos e Monetaristas, e é bem provável que após esta crise, tenhamos um avanço considerável na teoria económica, uma vez que, apesar de todos efeitos nocivos que possam trazer, as crises desempenham um papel fundamental na formulação de teorias económicas, foi após um cenário de crise que surgiu o tão estudado multiplicador Keynesiano.

Referências Bibliográficas e Webliográficas
1.GREENSPAN, Alan. A era da turbulência: aventuras em um novo mundo. Campus; Elsevier, 2008.
2.GALBRAITH, John K. The great crash 1929. New York, NY: Penguin Books, 1980
3.KINDLEBERGER, Charles P. Manias, pânico e crashes: um histórico das crises financeiras. Trad. da 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
4.CHUNG, Joanna. Bigger Role urged for regulator with safe hands Financial times, 22.10.08 p.9
5.MANKIW Gregory Tax-Policy-During-Great-Depression disponível em :
4.http://gregmankiw.blogspot.com/2008/11/tax-policy-during-great-depression.html acesso em 14.12.08
5.LAPAGE Henri Milton Friedman : le triomphe du libéralisme disponivel em : http://www.fahayek.org/index.php?option=com_content&task=view&id=1239&Itemid=53 Acesso em 14.12.08

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

CENÁRIO INTERNO II TRIMESTRE

Dados Macroeconómicos recentes dão conta da possível desaceleração do crescimento da economia mundial, com reflexos negativos sobre os investimentos e as exportações dos países africanos. Os indicadores internos angolanos revelam a um significativo dinamismo, o Fundo Monetário Internacional prevê crescimentos da economia angolana em torno de 16% em 2008 e em torno de 13% em 2009, em contraste aos 21,1% de 2007. Todavia, mantêm-se expectativas de índices maiores em função de uma dinâmica mais acentuada no mercado petrolífero. Por outro lado as receitas orçamentais têm por fundamento um cenário de $ 55/bbl, um preço conservador e muito abaixo das actuais cotações de mercado, o que, mesmo havendo correcções para baixo no mercado mundial de petróleo, ainda assim dará cobertura aos investimentos públicos projectados.



Ilustração 1 Fonte: FMI -2008 Previsºao

· O presente período contou com a aprovação pela Assembleia Nacional do orçamento rectificativo para 2008, que contempla um acréscimo de despesa no montante de KZ 112 mil milhões, representando um crescimento de 4.4% na despesa pública face ao montante anteriormente aprovado, que dentre outros objectivos, visa sustentar despesas relativas à conclusão do processo eleitoral e a instalação do recém-criado Tribunal Constitucional.

PETRÓLEO PRODUÇÃO&PREÇOS

· A produção de petróleo em 2008 vem se mantendo num patamar próximo de 1.9 milhões de barris diários (mb/dia), correspondente à quota alocada pela OPEP, o que compara com o valor médio de 1.67 verificado em 2007. As expectativas indicam níveis de produção na ordem dos 2.2 mb/dia até ao final da corrente década, o que representaria um crescimento de mais de 17% face aos actuais níveis de produção. Para o trimestre em análise as receitas petrolíferas para o Tesouro Nacional foram avaliadas em $ 6.304,83 milhões de dólares, 100 pontos percentuais comparativamente ao mesmo período do ano passado, um aumento baseado muito mais no preço que na produção.

INFLAÇÃO

· O nível geral de preços no consumidor na cidade de Luanda – que serve de referência para o país - registou uma variação de 1,00% entre o mês de Maio e Junho de 2008. A variação homóloga situa-se agora nos 12,27%, o que significa uma subida de 0,23 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Esta descida contribui negativamente para a redução da taxa do IPC iniciada em meados do ano de 2003.


TAXA DE CAMBIOS

· Estabilizada face ao dólar norte americano, a moeda angolana manteve-se no patamar dos KZ 75 para cada um Dólar, durante o II trimeste. O efeito da desvalorização ante outras moedas como por exemplo o Euro, tende a reflectir-se no aumento dos preços dos produtos importados


Ilustração 2Fonte BNA Data

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

CRONOLOGIA: CRISE NOS MERCADOS FINANCEIROS

Há dois semestres, quando em sala de aulas abordavamos a crise do "subprime" americano, estavamos longe de imaginar que o sistema financeiro mundial atingiria o presente colapso . Trazemos assim uma cronologia da crise , de 2004 a Setembro de 2007. Confira:

Entre 2004 e 2006: problemas no subprime
Depois de dois anos, entre 2004 e 2006, quando a taxa de juros subiu de 1% para 5,35%, o mercado imobiliário americano começou a sofrer, com preços dos imóveis caindo e aumento na inadimplência de mutuários.
A inadimplência em empréstimos do tipo subprime – hipotecas de alto risco para pessoas com histórico ruim de crédito – atingiu níveis recordes.
Abril a agosto de 2007: contágio do subprime
Abril 2007
A New Century Financial, especializada em empréstimos subprime, pediu concordata e demitiu metade dos seus funcionários.
Com suas dívidas sendo repassadas para outros bancos, o mercado subprime começou a entrar em colapso.

Julho 2007
O banco de investimentos Bear Stearns diz que seus investidores não conseguirão resgatar o dinheiro investido em seus fundos hedge.
O diretor do Federal Reserve (o banco central americano), Ben Bernanke, diz que a crise do subprime pode custar US$ 100 bilhões.

Agosto 2007: Tamanho da crise é revelado
9 de agosto
O banco de investimentos PNB Paribas diz a seus investidores que eles não conseguirão resgatar seus investimentos, devido à "completa evaporação da liquidez" do mercado.
É um sinal claro de que os bancos estão se recusando a emprestar dinheiro uns aos outros.
O Banco Central Europeu investe 95 bilhões de euros no setor bancário, para melhorar a liquidez. Em seguida, mais 108,7 bilhões de euros são investidos.
Os bancos centrais dos Estados Unidos, Canadá e Japão começam a intervir.
17 de agosto
O Federal Reserve corta pela metade a taxa de juros para empréstimos a bancos, para 5,75%.
Setembro 2007: Corrida aos bancos
13 de setembro
O banco britânico Northern Rock pediu e recebeu ajuda financeira emergencial do banco central britânico. No dia seguinte, os correntistas retiraram mais de US$ 2 bilhões, em uma das maiores fugas de capital da Grã-Bretanha.
18 de setembro
O Federal Reserve corta a taxa de juro em meio ponto percentual, para 5,75%.
Outubro de 2007: perdas começam a surgir
No dia 1º, o banco suíço UBS revelou perdas de US$ 3,4 bilhões. Em seguida, o gigante Citigroup divulgou que perdeu US$ 3,1 bilhões com o mercado subprime – US$ 40 bilhões no acumulado de seis meses.
No fim do mês, o diretor do Merrill Lynch se demite, depois de revelar que o banco tinha US$ 7,9 bilhões de dívidas/ que incluíam papéis podres.
Dezembro 2007: Ajuda do governo
No dia 6, o presidente americano, George W. Bush, anunciou um plano para ajudar milhões de mutuários com problemas. O Federal Reserve coordenou ao lado de cinco bancos centrais uma ação para empréstimos a outros bancos.
Fevereiro e março 2008: Nacionalizações e compras
7 de fevereiro
Ben Bernanke alerta para os efeitos da crise do sistema financeiro na economia real. Os líderes do G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) dizem que as perdas com o mercado subprime podem chegar a US$ 400 bilhões. O governo britânico nacionaliza o banco Northern Rock.
Em março, o Federal Reserve disponibiliza mais US$ 200 bilhões para bancos em dificuldade.
No dia 17, o quinto maior banco americano, Bear Stearns, é comprado pelo JP Morgan Chase por US$ 240 milhões (um ano antes, o banco valia US$ 18 bilhões).
Abril 2008: Mais efeitos na Europa
8 de abril
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que as perdas devido à crise financeira internacional podem chegar a US$ 1 trilhão ou até ultrapassar esta marca.
Segundo o FMI, os efeitos da crise estão se espalhando para outros setores como crédito ao consumidor e dívidas de empresas.
Dois dias depois o Banco da Inglaterra diminui sua taxa de juros para 5%, um corte de 0,25%.
21 de abril
O Banco da Inglaterra divulga os detalhes de um plano ambicioso, da ordem de 50 bilhões de libras (cerca de R$ 171 bilhões) para ajudar bancos, um plano que permitiria que estes bancos trocassem dívidas de hipoteca que potencialmente arriscadas por títulos do governo, mais seguros.
Abril a junho de 2008: Bancos tentam conseguir dinheiro
22 de abril
O banco britânico Royal Bank of Scotland anuncia o plano para levantar dinheiro junto aos acionistas, lançando novas ações no mercado, que chegam ao valor 12 bilhões de libras (mais de R$ 41 bilhões), o maior lançamento de ações da história corporativa da Grã-Bretanha.
2 de maio
O banco UBS, um dos mais afetados pela crise financeira mundial, também lança ações no valor de US$ 15,5 bilhões para cobrir parte de suas perdas, que chegaram a US$ 37 bilhões, mais do que qualquer outro banco afetado pelas turbulências do mercado internacional.
19 de junho
O FBI prende 406 pessoas, incluindo corretores e empreiteiros, como parte de uma operação contra supostas fraudes em financiamentos habitacionais, que alcançaram valor de US$ 1 bilhão.
25 de junho
Outro banco britânico, desta vez o Barclays, anuncia os planos para levantar 4,5 bilhões de libras (cerca de R$ 15,4 bilhões) com lançamento de ações.
Julho de 2008: Grandes financiadores no limite
13 de julho
O banco de hipotecas americano IndyMac entra em colapso e se torna o segundo maior banco a falir na história dos Estados Unidos.
14 de julho
Autoridades financeiras dos Estados Unidos prestam assistência às duas gigantes do setor de hipotecas, Fannie Mae e Freddie Mac.
Juntas, as duas companhias são responsáveis por quase metade das hipotecas dos Estados Unidos e detêm ou garantem cerca de US$ 5,3 trilhões em financiamentos e são cruciais para o mercado imobiliário americano.
Agosto a setembro de 2008: Outros gigantes sofrem
4 de agosto
O gigante do setor bancário HSBC alertou que as condições dos mercados financeiros são as mais difíceis "das últimas décadas", depois de sofrer uma queda de 28% em seus lucros semestrais.
Dos grandes bancos europeus, o HSBC estava entre os mais atingidos pela crise do mercado imobiliário e de crédito dos Estados Unidos.
30 de agosto
O ministro da Fazenda britânico, Alistair Darling, afirma que a economia da Grã-Bretanha enfrenta sua pior crise dos últimos 60 anos em uma entrevista ao jornal The Guardian.
1º de setembro
Dados oficiais do Banco da Inglaterra mostram queda na aprovação de hipotecas em julho.
5 de setembro
Números do mercado de trabalho americano mostram que a taxa de desemprego no país subiu para 6,1%, causando ainda mais turbulência nos mercados financeiros.
7 de setembro
Governo dos EUA ajudou gigantes do setor de hipotecas
O governo dos Estados Unidos anuncia que está assumindo o controle das empresas de hipoteca Freddie Mac e Fannie Mae, numa operação que foi considerada uma das maiores do gênero na história americana.
O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, afirma que os níveis das dívidas das duas companhias significavam um "risco sistêmico" para a estabilidade econômica e que, se o governo não agisse, a situação poderia piorar.
10 de setembro
O Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, registra perdas de US$ 3,9 bilhões nos três meses anteriores a agosto.
O anúncio ocorre em meio a mais alertas econômicos feitos pela Comissão Européia, afirmando que Grã-Bretanha, Alemanha e Espanha poderão entrar em recessão até o final de 2008.
15 de setembro
Depois de dias em busca por um comprador, o Lehman Brothers entra com pedido de concordata, se transformando no primeiro grande banco a entrar em colapso desde o início da crise financeira.
O ex-presidente do Fed Alan Greenspan afirma que outras grandes companhias também poderão cair.
No mesmo dia, o Merrill Lynch, um dos principais bancos de investimento americanos, concordou em ser comprado pelo Bank of America por US$ 50 bilhões para evitar prejuízos maiores.
16 de setembro
O Federal Reserve anuncia um pacote de socorro de US$ 85 bilhões para tentar evitar a falência da seguradora AIG, a maior do país.
Em retorno, o governo assumirá o controle de quase 80% das ações da empresa e o gerenciamento dos negócios.
25 de setembro
Outro gigante do setor de hipotecas dos Estados Unidos, o Washington Mutual, é fechado por agências reguladoras e vendido para seu adversário, o Citigroup.
28 de setembro
A crise se alastra mais pelo setor bancário europeu com a nacionalização parcial do grupo belga Fortis, para garantir sua sobrevivência.
Autoridades na Holanda, Bélgica e Luxemburgo aceitaram investir 11,2 bilhões de euros na operação.
Nos Estados Unidos, legisladores anunciaram que chegaram a um acordo bipartidário para aprovação do pacote de US$ 700 bilhões para salvar instituições financeiras afetadas pela crise.
29 de setembro
A Câmara dos Representantes (deputados) dos Estados Unidos rejeita o pacote de US$ 700 bi proposto pelo governo americano para socorrer instituições financeiras afetadas pela crise. Os legisladores retomam as negociações para realizar uma nova votação na casa.
O Wachovia, o quarto maior banco americano, é comprado pelo Citigroup, em um acordo de resgate que conta com o apoio das autoridades americanas. Segundo este acordo o Citigroup vai absorver até US$ 42 bilhões dos prejuízos do Wachovia.
Na Grã-Bretanha, o governo confirmou a nacionalização do banco de hipotecas Bradford & Bingley. O governo assume o controle de financiamentos e empréstimos do banco no valor de 50 bilhões de libras (cerca de R$ 171 bilhões) enquanto suas operações de poupança e agências são vendidas para o Santander, da Espanha.
O governo da Islândia assume o controle do terceiro maior banco do país, Glitnir, depois que a companhia teve problemas com fundos de curto-prazo

Fonte: BBC

quinta-feira, 5 de junho de 2008

CENÁRIO MACROECONÓMICO INTERNO 1ºTRIMESTRE 2008

CENÁRIO INTERNO
O Ano económico angolano, acontece com base no anteriormente aprovado OGE/2008 comportado por despesas e receitas na ordem de 2,5 triliões de kwanzas. As receitas fiscais estão projectadas em kz 1.891,3 mil milhões
sendo 77,2% receita petrolífera - tendo fixado o preço médio de referência fiscal do Baril de petróleo em $55 – e 22,8% receita não prolifera. Quanto às despesas, estão estimadas em kz 2.245,2 mil milhões e correspondem a 54,6% do PIB. Do total, 57,2 constituem despesas correntes e 42,8 despesas de capital.
Quanto a dotação por sectores, é maior beneficiário o sector social com 38,8%, seguindo-se a área económica com 15,7%.

INFLAÇÃO
Para 2008 o índice de inflação esperada é de 10% (dois dígitos) contra 11,8 porcento em 2007, e 12% no ano de 2006.
O IPC, índice único e oficial, tomado como referência para a inflação, mede o custo de vida das famílias da cidade de Luanda e registou uma variação de 0,86% no primeiro bimestre deste ano. Para o período em análise os itens Vestuário e Calçado, e Alimentação foram os que registaram maior aumento de preço na ordem dos 2,33% e 1,33, respectivamente.


Fonte: Notas de Imprensa INE

Analisada a inflação homóloga, houve uma variação nula, 0,00 pontos percentuais, contribuindo positivamente para tendência de redução da taxa do IPC.
Fonte: BNA DATA

CÂMBIOS E JUROS BÁSICOS

Fonte: BNA
Nos últimos meses a predominância da queda do dólar diante das outras moedas tem sido uma constante. No mercado angolano, apesar de pequenas desvalorizações cambiais do Kwanza frente ao dólar, a relação entre as duas moedas manteve-se estável na casa dos Kz 75,0509.

MERCADO MONETÁRIO E OPERAÇÕES DE OPEN MARKET
• Os dados preliminares (Fevereiro) das reservas internacionais totalizam US $ 11.882 milhões, com aumento expressivo de US$ 691,070 em relação a Dezembro de 2007, como reflexo do aumento da reserva bruta.
• Em relação as operações de mercado aberto, as taxas de juros mantiveram-se estáveis com excepção dos títulos de 364 dias que sofreram redução de 0,1 ponto percentual
• No período de 15 de Janeiro a 15 de Março foram emitidas Obrigações do Tesouro num montante de Kz 135.534.354,84 sendo 46,13% OTs do PIP Cabinda, 38,4% OTS Ordinárias com maturidade de 1 a quatro anos, e 15,4% Nova Vida, com maturidade de um a sete anos.
• As taxas de Juros a considerar para efeitos de pagamento de Juros de Cupão das OTs emitidas é de 2.69938%, taxa LIBOR, acrescida de pontos percentuais ou basis point conforme condições contratuais de cada emissão. Para as OTS Ordinárias 4%.
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