Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011

FMI Acordo Stand-by Angola

O Conselho de Administração do Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu a 24/01/2011 a quarta avaliação do desempenho económico de Angola no âmbito do programa apoiado pelo Acordo Stand-By. A decisão do Conselho permite o desembolso imediato do montante de DSE 114,52 milhões (cerca de USD 178,2 milhões), perfazendo um desembolso total a Angola de DSE 687,12 milhões (cerca de USD 1,07 mil milhões).
Ao concluir a avaliação do programa, o Conselho de Administração concedeu dispensas pelo não cumprimento dos critérios de desempenho para o final de Dezembro de 2010 relativos aos limites máximos à acumulação de atrasados, ao crédito concedido pelo banco central e ao crédito do sistema bancário ao governo. O Conselho de Administração também aprovou a modificação dos critérios de desempenho relativos aos atrasados internos e ao crédito do banco central.

A contenção das despesas e a recuperação dos preços do petróleo criaram condições para a liquidação de grande parte dos atrasados internos acumulados em 2008-09. As autoridades pretendem liquidar o que resta destes atrasados até ao final de Março de 2011.O orçamento de 2011 equilibra a necessidade de recompor as reservas com a necessidade de aumentar os gastos em investimento, que foram reduzidos consideravelmente no âmbito do ajustamento fiscal de 2009-10.

A implementação efectiva de planos de financiamento trimestrais para os ministérios, que alinhe as autorizações de despesas com os recursos financeiros disponíveis, será uma evolução positiva. A política monetária está devidamente orientada à redução gradual da inflação para níveis abaixo de 10 por cento. Com o alívio das pressões no mercado cambial, o BNA deverá confiar unicamente em medidas baseadas no mercado para gerir as oscilações das taxas de câmbio.

Em termos futuros, saudamos a intenção das autoridades de desenvolver directrizes de política fiscal para estabilizar o nível de despesas ao longo do ciclo do preço do petróleo e evitar a acumulação de atrasados. A reforma plurianual do sistema tributário não petrolífero também contribuirá para garantir a estabilidade fiscal no médio prazo. A melhoria da transparência no sector público é uma meta importante; a este respeito, a publicação de demonstrações financeiras de entidades públicas sujeitas a auditoria externa é uma medida essencial. A implementação da agenda de reforma organizacional do BNA reforçará as estruturas de governação interna do banco central.

Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Expectativas de inflação


Leccionar Economia mais do que transmitir conceitos teóricos ‘e capacitar os alunos a interpreta-los a luz de sua vivência, este post vem a propósito do ultimo trabalho de pesquisa aos estudantes de FUNDAMENTOS II sobre o comportamento da inflação angolana nos últimos 10 anos, quando um dos alunos fez uma pergunta interessante a respeito do comportamento das perspectivas de mercado sobre o valor da inflação nos próximos períodos, em Angola. Isto a que meu aluno chamou de perspectivas e o que tranquilamente podemos chamar de EXPECTATIVAS!
Do ponto de vista da teoria económica poderíamos dar três respostas, as expectativas são, adaptativas, ou seja, os agentes repetem a inflação anterior ao definir a expectativa presente, o mecanismo supõe que as expectativas são corrigidas (ou adaptadas) em função do último erro observado, outra hipótese seria a das expectativas racionais, que pressupõe que os agentes utilizam toda a informação disponível ao formular as novas expectativas, eles tomam em consideração não somente os valores passados da inflação, mas toda a informação disponível e relevante, de tal forma que não cometam erros sistémicos- em media as expectativas racionas terão erro 0. Uma terceira e mais recente hipótese, e a chamada stick information ou seja expectativas sob informação rígida, que sustenta que os agentes utilizam toda a informação disponível, mas não a processam todos os períodos porque há um custo nisso, sobre Angola o que nos oferece dizer? Após alguma discussão com os alunos rapidamente um deles chegou a conclusão de que em angola as expectativas em Angola são formada sob sticky information Se estamos a falar de ciência não podemos nos deixar tomar pela falácia não comprovada- mesmo que empiricamente – que as expectativas de mercado para inflação angolana são adaptativas, racionais ou então sob informação rígida. Uma resposta quase exacta necessitaria assentar em estudo econométricos baseados em series históricas confiáveis sobre previsão de mercado para algumas das principais variáveis macreoeconomicas, em dados como a media, mediana, e desvio padrão das expectativas, assim como series dos melhores agentes com as previsões de mercado, infelizmente a autoridade monetária – Banco Central (BNA) como tal ainda não colecta estes dados –ou se os colecta não os tem publicados. Alem de tentar responder aos meus alunos, deixo a questão em aberto para discussão no fórum.

Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

FUNDAMENTOS DE ECONOMIA (aperitivo)


O que já não é novidade para os estudantes de Licenciatura em Economia, acaba sendo para os de Administração e Recursos Humanos, que neste semestre, pela primeira vez, tomam contacto com a disciplina de Fundamentos de Economia. As primeiras aulas servirão para contextualizar a disciplina, e a discussão começa por reflexões reais ligadas a nossa vivência: quem somos? O que determina as nossas escolhas e decisões? etc, etc Lembro então aos estudantes, que, com o ingresso na universidade entram, decididamente, em um mundo novo onde serão preparados para formular perguntas, contrariamente aos níveis anteriores de ensino, onde as questões eram preconcebidas.
Como seres humanos temos muitos desejos (necessidades): queremos nos formar, queremos um carro melhor, queremos ajudar parentes menos desfavorecidos, queremos umas lindas férias no Etosha Park ou em Luxemburgo…. e procuramos formas de satisfazer estes desejos. Mas, na busca da satisfação nos damos conta que os recursos disponíveis são limitados, dai surge a noção de escassez que é designado como o Problema Económico por Excelência. As necessidades são ilimitadas, e os recursos são escassos: o ar é um recurso escasso, os recursos minerais são escassos, a terra é escassa, a água etc. etc. Assim sendo, e como seres racionais, somos obrigados a fazer escolhas, através do processo de decisão entre alternativas possíveis. Após esta abordagem introdutória podemos então dizer que Economia é Ciência que trata da alocação de recursos escassos para a satisfação de necessidades ilimitadas. Leitura, muita leitura e frequência das aulas ajudará a atingir o objectivo proposto que é a construção do conhecimento.

Domingo, 5 de Julho de 2009

“Se queremos a recuperação, temos de ser pacientes…”

Olivier Blanchard é conselheiro económico e Director do Departamento de Investigação Financeira do Fundo Monetário Internacional, exímio investigador das ciencias económicas - lembrar que é o autor da bibliografia obrigatória que recomendamos aos nossos alunos na disciplina de Macroeconomia- esteve ontem (25 junho) em entrevista na Euronews e traz a sua opinião sobre como lidar com a crise económica e financeira global! Boa leitura!

Euronews: Há sinais que indicam que a crise já bateu no fundo e que se antevê uma recuperação sustentada. Se é verdade, quando e a que ritmo se efectuará?



Blanchard: Darei uma resposta em três partes. A primeira: penso que evitámos o pior, o que são excelentes notícias. O segundo ponto: os indicadores económicos para o último trimestre de 2008 e primeiro de 2009 são extremamente maus. Não vamos voltar a ver nada assim. Mas vamos, provavelmente, assistir, nos países desenvolvidos, a um crescimento negativo no segundo trimestre deste ano, e também, talvez, no terceiro. Depois, chegará o crescimento positivo, apesar de muito próximo de zero. É provável que o crescimento seja mais elevado no próximo ano… Em terceiro lugar, e este é o ponto mais importante, vamos ter de nos concentrar na recuperação. Para já, não creio que vá ser forte, pensamos que poderemos atingir uma estabilidade dentro de três a cinco anos. Vai demorar muito tempo…



Euronews: Os mercados financeiros continuam a temer que os gastos dos governos aliados às injecções de capital por parte dos bancos centrais, em especial nos Estados Unidos, estejam a promover a disseminação da inflação a minar qualquer tentativa de o mercado dar a volta. Partilha estes receios?



Blanchard: No que toca aos bancos centrais, foi aumentado, de forma significativa, o seu portfolio, em parte porque adquiriram bens que os investidores privados rejeitaram.Mas creio que à medida que a recuperação se manifesta, os investidores privados vão querer comprar aos bancos centrais esses bens e estes vão querer vender. Por isso, não me preocupa a inflação. Acredito que o sector fiscal oferece mais razões para que nos preocupemos. Nesta matéria, os governos vão enfrentar sérias dificuldades. O que os governos não podem deixar de fazer é oferecer estímulos fiscais. A procura do sector privado, nesta fase, ainda é muito fraca. Se os incentivos acabarem, provavelmente a procura no mercado vai desacelerar e o processo de recuperação económica será interrompido. Por isso, e pelo menos durante este ano, têm de se manter os incentivos fiscais, provavelmente no próximo ano também e, talvez, no ano a seguir.



Euronews: Um problema particularmente difícil na Europa é o desemprego. Normalmente este indicador retrai assim que aparecem os primeiros sinais de recuperação. Como interpreta o actual momento? Existe o risco de a Europa vir a enfrentar uma elevada taxa de desemprego…



Blanchard: Está absolutamente correcto. A minha resposta tem duas partes. É verdade que quando o crescimento se torna positivo, esse simples facto não chega para pressionar uma redução do desemprego. O crescimento tem de ser superior ao normal para que isso se verifique. O que poderá acontecer no final de 2010 ou por volta desse período. Até lá, o desemprego vai aumentar. Na Europa, e tendo em conta o melhor dos cenários, o desemprego vai aumentar, provavelmente durante mais um ano ou ano e meio. A questão que se segue é quando vai descer. Duas coisas têm de acontecer: a procura tem de ser suficiente e o mercado laboral tem de saber responder a essa procura…



Euronews: Um desemprego elevado fere o consumo e as perspectivas de crescimento. Por isso muitos governos desenvolveram planos para estimular o mercado. Qual a sua leitura da situação actual? São necessárias políticas fiscais e monetárias mais apertadas ou chegou a altura de aligeirar?



Blanchard: Esta não é altura para se retirar nenhum estímulo fiscal ou para aumentar as taxas de juro. A economia está muito fragilizada e a procura privada muito fraca. Se se pensar nos consumidores, eles não estão dispostos a gastar. Se olhar para as empresas, elas não estão dispostas a investir. Por isso, se os incentivos forem retirados, basicamente a recuperação fica suspensa. Para já, é absolutamente necessário manter a política monetária e fiscal seguida no último ano.



Euronews: O elevado preço do crude é um risco para a recuperação económica, o que até pode provocar uma inflação excessivamente elevada associada a muitos baixos níveis de produtividade. Agora que o preço do crude aumentou que risco enfrentamos?



Blanchard: O aumento do preço complica o processo de recuperação, sim, funciona como um travão, mas não receio que vá suspender a recuperação. O aumento do preço do crude, creio, não é justificado pela conjuntura… Perante casos como este, espera-se um ajustamento. Não creio que o preço do crude atinja os 70 dólares. Se se mantiver a esse nível, penso que será um bom preço, consistente com o ritmo da recuperação.



Euronews: A regulação criada para os mercados financeiros não vai domá-los na totalidade, mas certamente vai torná-los mais transparentes, responsáveis e estáveis. No entanto, existe uma aparente discórdia entre o G20 e o G8 sobre a pressão dessa regulação. O que podemos esperar quando a tranquilidade voltar a reinar?



Blanchard: Não sabemos. Não só porque não sabemos de forma exacta que tipo de regulação necessitamos, mas porque também não sabemos que tipo de sistema financeiro vamos ter. Por outro lado, esse sistema vai depender, em parte, do tipo de regulação a que for sujeito. Ou seja, neste caso, não podemos apenas regulamentar uma parte do sistema. Temos de olhar para o todo e ter em conta os riscos no seu conjunto e analizar o comportamento dos actores num ambiente não regulamentado. Este é um dos princípios. Não tenho ilusões. Qualquer que seja a regulação vai-nos escapar sempre qualquer coisa. Só espero nque nada com a magnitude do que acabámos de ver.



Euronews: Uma última questão. Muito mudou para o Fundo Monetário Internacional durante a crise económica. A cimeira do G20 prometeu triplicar a capacidade de o fundo dar empréstimos e o fundo prepara-se para emitir títulos de obrigações pela primeira vez. No cômputo geral, o FMI está a munir-se de recursos sem precedentes. Face a esse “rearmamento”, como vê a sua influência e papel no futuro?



Blanchard: Penso que o FMI vai ter um papel muito importante se conseguir analizar os riscos num todo e não apenas os de natureza financeira, que é o caso desta crise. Basicamente, o fundo tem de estar sempre atento, já que está posicionado de forma única para interpretar o mundo. isto porque nós recebemos uma quantidade enorme de informação a que mais ninguém tem acesso. Teremos, no fundo, de estar disponíveis para emprestar quando necessário, é esse o nosso papel. Se formos bem sucedidos seremos muito importantes, e não apenas em momentos de crise, onde já provámos ser importantes, mas nos próximos dez, vinte ou trinta anos. Esse é o nosso objectivo.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

AVALIAÇAO PARCELAR

ALUNOS DA LICENCIATURA EM ECONOMIA
Primeira Prova parcelar
Dia 26-06-2009
Sala 37
18:00 hs

Enfoque: Toda matéria leccionada, inclusive a Aplicação dos conceitos microeconomicos as Politicas Públicas

Terça-feira, 16 de Junho de 2009



  • Volto num momento especial, quando já vamos a caminho do segundo mês de um semestre lectivo que recentemente começou, trago uma palavra especial aos estudantes da disciplina Fundamentos de Economia, mas especificamente aos estudantes de Licenciatura em Economia.
  • Lembra-los de que acabam de abraçar um ramo muito apaixonante e abrangente das ciências humanas, e que como Ciência, a Economia estuda as relações entre os indivíduos na sociedade, especificamente as relações de mercado – relações quase sempre muito complexas. Para tal os economistas precisam estar munidos de um profundo conhecimento histórico, teórico, quantitativo, metodológico e um conhecimento das questões institucionais.
  • O estudo da Ciência económica vai permitir uma compreensão maior do universo em que vivemos, além de acompanhar as mudanças que vão acontecendo na sociedade e propor novas explicações e possíveis soluções para as grandes questões da economia: o que produzir, quanto e para quem produzir, o estudo da economia vai permitir também dar explicações para problemas correntes como por exemplo as razões e as possíveis soluções da actual crise do sistema financeiro mundial.
  • Ao longo do curso virão outras cadeiras, como a micro e a macroeconomia, a estatística e a econometria, a história do pensamento económico etc, cadeiras que permitirão aos estudantes um background quantitativo para elaboração e análises de estudos de viabilidade e de modelos económicos e financeiros, afinar as habilidades da investigação científica voltada a resolução de problemas da sociedade, não descartando o amplo conhecimento no campo da cultura geral que permitirá o entendimento das questões económico-sociais em contextos históricos específicos.
  • No contacto com as novas disciplinas cada estudante tenderá a identificar-se mais com as áreas específicas da macro ou micro economia, mas, de um modo geral o que se espera é que todos possam, com o curso, munir-se de raciocínio logicamente consciente e da capacidade de ler o presente à luz do passado e com objectivos futuros.
  • Nosso desejo é o de todos nossos alunos tornarem-se, brilhantes economistas, no entanto, temos de admitir que alguns ficarão a meio do curso, outros chegarão ao pódio em segundo ou terceiro lugar…
  • Mas, apesar de todas as dificuldades incentivo-os a não desistir: o primeiro passo foi dado –Vocês começaram a estudar Economia! – o que por si só ja vos faz vitoriosos à partida. É preciso resistir, amadurecer até que de vocês se possa espremer todo sumo possível e precioso.
  • Outra grande inquietação dos estudantes é: e depois do curso? - Depois do curso - ao economista jamais se fecharão as possibilidades de emprego, porque o economista independentemente do que se vier a especializar – é um profissional com horizonte quantitativo, histórico e teórico - qualquer área de conhecimento nalgum momento de seu processo exige a presença de um economista, ou seja, qualquer sector, pode ser o lugar do economista.
  • E NÓS OS futuros GESTORES BANCÁRIOS? A resposta está nas entrelinhas: o conhecimento básico das questões económicas, do comportamento dos agentes económicos munir-vos-á do arsenal necessário para desvendar os mistérios subjacentes aos fenómenos que norteiam o funcionamento do mercado – bancário.
  • Caros alunos, Bem-vindos ao MUNDO FANTÁSTICO DAS ECONOMIAS, bem-vindos a Universidade que aposta em formar economistas que farão diferença! Bem-vindos a UniMetro!
  • Muitos outros diálogos virão, mas hoje termino parafraseando o pensamento do célebre Lord Keynes:
    “o economista deve ser matemático, historiador, estadista, filósofo (...) deve entender os símbolos e falar com palavras. Deve contemplar o particular nos termos do genérico, e tocar o abstracto e o concreto na mesma revoada do pensamento, deve estudar o presente à luz do passado com objectivos futuros. Nenhuma parte da natureza humana ou das instituições deve ficar completamente fora do alcance de sua visão. Ele deve ser decidido e desinteressado com a mesma disposição; tão distante e incorruptível quanto um artista, e ainda assim algumas vezes tão perto da terra quanto um político”

    Nota:
    =>As aulas da próxima Quarta-Feira (17) e Sexta-Feira(19) serão totalmente dedicadas a revisão da prova marcada para o dia 22/06/09
    =>Notas de Aula podem ser adquiridas junto aos delegados de turma, e brevemente na pagina oficial da cadeira no website da universidade
    www.unimetroangola.com

Sábado, 15 de Novembro de 2008

Monetaristas X Keynesianos



Dois motivos me incentivaram a escrever o presente artigo: primeiro, o aniversário da morte de um dos expoentes da teoria Económica, Milton Friedman (1922-2006) e o segundo, a actual, e altamente comentada crise económica mundial, que de alguma forma nos leva a um olhar atento a duas escolas de pensamento, que há mais de 50 anos desfrutam o predomínio da ciência económica: de um lado a Escola Keynesiana e do outro a Monetarista, estes últimos, conhecidos também como liberais, dos quais Friedman foi ferrenho defensor, considerado mesmo o Pai do Liberalismo.
Ao longo das décadas as duas escolas têm dividido a opinião tanto de economistas quanto do pensamento económico; adeptos de Keynes afirmam e defendem as virtudes do Estado-providência, ou seja: as leis de mercado sozinhas são incapazes de levar a economia ao equilíbrio, é preciso uma maior participação do Estado na economia. Por outro lado, os adeptos de Friedman (Escola de Chicago) têm vindo a fazer valer a sua visão liberal sob as várias perspectivas económicas.
Friedman, que se não tivesse morrido há dois anos, estaria hoje com 96 anos e vivenciaria esta, que já começa a ser classificada como a maior crise já vivida pelo capitalismo. De lembrar, ele – um opositor ferrenho do Keynesianismo - desafiou todas as teorias dominantes a respeito das causas da Grande Depressão, afirmando que foi o excesso e não a falta de intervenção governamental a responsável pela crise de 1929.
Após a crise da Bolsa de Nova Yorque (1929) as propostas dos liberais foram rejeitadas em todos os países do mundo. No bloco socialista seguia-se com sucesso o Planeamento Económico Estatal, enquanto no bloco capitalista os liberais eram substituídos pelos keynesianos. Porem, o revisionismo na ex. URSS, e a crise do bloco capitalista provocada maciçamente pela crise do petróleo - 1974, traz novamente ao cenário as ideias monetaristas (neoliberais). O auge da influência monetarista acontece na década de 1990, com o Consenso de Washington, quando os governantes de vários países se comprometeram com as propostas neoliberais segundo as quais a regulação era desnecessária, desnecessários também são os mecanismos de controlo e transparência do sistema financeiro internacional; indo mais além, o Consenso de Washington defendeu o princípio de que os Banco Centrais não precisavam manter uma política de fiscalização e acompanhamento sistémico da economia, afirmando que esta auto regula-se pelos derivativos.
Em uma entrevista concedida em 2003 e conduzida pelo economista Francês Henri Lepage, Friedman declarou que as condições para a prosperidade estavam garantidas: o desemprego estava baixo, o monstro da inflação domado, não havia crise financeira e não havia deflação, a produtividade estava a crescer e os bancos estavam em boa forma, e - apesar de discordar com as ferramentas discricionárias usadas pelo Federal Reserv (Banco Central Americano) - Friedman louvou a política monetária de Alan Greenspan, e acreditava que as políticas de injecção monetária eram capazes de trazer enorme prosperidade.
Uma análise do cenário actual coloca em descrédito o Consenso de Washington, e de modo geral a sustentabilidade das ideias monetáristas. Assistimos ao oposto: as regras de prudência bancária, ausência de politicas publicas para assegurar o controle, a falta de limites de alavancagem estão na base do crash ora vivido. E é exactamente o Estado que aparece no cenário para minimizar a crise. Em tese, estamos diante de um retorno ao pensamento de Keynes, que aclama o papel do Estado como regulador da actividade económica.
Importa salientar que, apesar das evidências do momento tenderem para o paradigma Keynesiano, não se pretende neste artigo, tirar o mérito da escola de Friedman. No campo das ciências sociais, as teorias são criadas para entender e resolver problemas específicos, com o passar do tempo demandam mudanças passíveis a dar resposta a novos problemas que surgem, como diz Hicks (citado por Meller p.81) "não pode haver uma teoria económica que explique tudo e a todo tempo”. Assim, o pensamento económico está mais uma vez diante do cenário favorável ao debate acirrado entre Keynesianos e Monetaristas, e é bem provável que após esta crise, tenhamos um avanço considerável na teoria económica, uma vez que, apesar de todos efeitos nocivos que possam trazer, as crises desempenham um papel fundamental na formulação de teorias económicas, foi após um cenário de crise que surgiu o tão estudado multiplicador Keynesiano.

Referências Bibliográficas e Webliográficas
1.GREENSPAN, Alan. A era da turbulência: aventuras em um novo mundo. Campus; Elsevier, 2008.
2.GALBRAITH, John K. The great crash 1929. New York, NY: Penguin Books, 1980
3.KINDLEBERGER, Charles P. Manias, pânico e crashes: um histórico das crises financeiras. Trad. da 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
4.CHUNG, Joanna. Bigger Role urged for regulator with safe hands Financial times, 22.10.08 p.9
5.MANKIW Gregory Tax-Policy-During-Great-Depression disponível em :
4.http://gregmankiw.blogspot.com/2008/11/tax-policy-during-great-depression.html acesso em 14.12.08
5.LAPAGE Henri Milton Friedman : le triomphe du libéralisme disponivel em : http://www.fahayek.org/index.php?option=com_content&task=view&id=1239&Itemid=53 Acesso em 14.12.08